quinta-feira, 23 de novembro de 2017

A Conferência de Berlim (1884/5) e guerras imperialistas


O MUNDO ENTRE OS FINAIS DO SÉCULO XIX E INÍCIO DO SÉCULO XX



1.      A CONFERÊNCIA DE BERLIM (1884/5)

A Conferência de Berlim foi realizada na Alemanha entre Novembro de 1884 e Fevereiro de 1885, na qual participaram 15 países, nomeadamente: Alemanha, Bélgica, Áustria-Hungria, Dinamarca, Noruega, Holanda, Inglaterra, França, Rússia, EUA, Turquia, Suiça, Itália, Espanha e Portugal.

Durante as viagens de reconhecimento e exploratórias surgiram várias contradições em África. Na região da bacia de Congo, Leopold II, Rei da Bélgica enviou Stanley para efectuar a exploração na região, e por sua vez, a França envie Brazza para a mesma região, e isso, criou uma disputa na bacia do Congo entre a França e Bélgica.

A Alemanha de Otto Von Bismark, uma vez que não tinha nenhuma colónia nessa altura, usou com pretexto da disputa do Congo e achou oportuno convocar a Conferência de Berlim.



A Conferência de Berlim deliberou o seguinte:

§  A liberdade do comércio na bacia do Congo;

§  A liberdade do comércio e navegação entre os rios Congo e Níger;

§  Abolição do tráfico de escravos e a definição de novas regras para uma ocupação efectiva;

§  A declaração de novas ocupações a serem efectuadas em África;



A formação de blocos militares

Antes da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), na Europa surgiram dois blocos rivais (antagónicos) e tinham-se organizados em dois (2) sistemas destinados a preservar o equilíbrio europeu, esses blocos eram: A Tripla aliança e Tríplice entente.

1.      A Tripla aliança foi fundada em 1882 e agrupara a Alemanha, Áustria-Hungria e Itália.

2.      Tríplice entente fundada em 1907 e agrupara a Inglaterra, França e Rússia.



A EXPANSÃO EUROPEIA NO SÉCULO XIX

Foi realizada pelos países da Europa Ocidental e as jovens potências mundiais (EUA, Japão e a Rússia). A expansão inglesa foi iniciada pela compra da região da Cabo a Holanda em 1815.

A penetração inglesa na África do Sul obrigou os boeres a migrarem para o Norte, e, essa migração ficou conhecida  por Great Treck na qual os boeres fundaram no Norte duas repúblicas independentes:

1.      Estado Livre de Orange

2.      República Sul-Africana de Transvaal

Com a descoberta de minas de diamante em Kimberly e de ouro em Witwatersrand na África do Sul despertou algum interesse e febre aos ingleses em querer controlar essas duas regiões ricas em minerais. Isso resultou num conflito entre os ingleses e boeres – A guerra imperialista Anglo-boer (1899 – 1902).

A Inglaterra tomou o canal de Suez construído entre 1859 e 1869 pelos franceses e egípcios.

O canal de Suez facilitava o comércio com a Ásia. A partir daí, os inglese ocuparam o Sudão, a Nigéria, a Costa de Ouro, Quénia, Tanganyica, União Sul africana, Somália,  as Rodésias (Sul e Norte) e Niassalândia.

Portugal e Espanha países pioneiros da expansão mercantil da Europa no século XVI, na expansão do século XIX tiveram uma participação limitada. Portugal para além da Guiné pretendia unir Moçambique e Angola, ocupando os territórios intermediários, no projecto mapa cor de rosa, mas os ingleses refutaram esse plano, e queriam construir uma linha férrea para ligar as cidades de Cabo (África do Sul) e Cairo (Egipto). A Espanha anexou o rio de Ouro a Guiné espanhola e o Marrocos.

A Alemanha e a Itália não tiveram tempo suficiente de ocupar territórios em África, mesmo assim a Alemanha ocupou Togo, Camarões, Ruanda, Burundi, Tanganyika e Sudoeste Africano (Namíbia). A Itália anexou Eritreia a Somália italiana e a Líbia depois de ter fracassado pela conquista da abissínia e Tunísia.

A expansão efectiva dos novos espaços coloniais foi graças ao auxílio das companhias monopolistas na qual os seus capitais iniciaram o processo de plantação e a venda de mão-de-obra, por exemplo os portugueses durante a colonização de Moçambique só conseguiram gerir e controlar o Sul de Moçambique e no Centro e Norte do país, arrendavam as Companhias. A zona Sul do país estava reservada para a venda de mão-de-obra no estrangeiro, sobretudo para África do Sul.



As guerras imperialistas

1.      A guerra hispano-americano (1898)

Esta guerra surge pela disputa de Cuba pelos EUA e a Espanha. Cuba colónia espanhola desde século XV até a sua independência. Cuba teve como personagens de resistência: José Marti, Máximo Gomes e António Macebo.

COM DOUTRINA Monroe “América para americanos” definida por James Monroe, antigo presidente norte americano (1817 – 1825). Com este pretexto de ajudar os cubanos, os americanos enviaram um navio (Maine). Este explodiu e a Espanha foi acusada do atentado. Como consequência, os EUA declararam aos espanhóis. Os espanhóis renderam-se em 1898.



2.      A guerra anglo-boer (1899 – 1902)

Esta guerra deu-se pela disputa de Transvaal, uma região rica em Ouro, o que despertou interese do imperialismo britânico.



3.      A guerra russo – japonesa (1904 – 1905)

Foi pela disputa da Manchúria (Província chinesa rica em carvão mineral) e da Coreia. As forças russas, mal preparadas foram derrotadas na terra e no mar.



Os conflitos entre as potências imperialistas ameaçavam a estabilidade mundial. Em 1900, japão e os EUA organizaram uma intervenção militar contra a china para se apoderarem dos seus territórios na sequência da guerra de ópio.

Em 1905, o conflito franco-alemão pela posse de Marrocos, elevou a tensão entre os dois países.

Entre 1912 e 1913 as guerras balcânicas extremeceram a Europa. A anexação da Bósnia e Herzegovina pela Áustria – Hungria engendrou o conflito internacional.

Na região balcânica a Rússia pretendia o estreito de Dardanelos no mar Negro, único ponto que lhe possibilitava uma saída ao mar Mediterrâneo e o mundo, que estava sob a administração turca. A Alemanha pretendia construir a linha férrea ligando Berlim – Bizâncio – Bagdad (B-B-B) chocando os interesses dos britâncos no Médio Oriente.