O MUNDO ENTRE OS FINAIS DO SÉCULO
XIX E INÍCIO DO SÉCULO XX
1.
A
CONFERÊNCIA DE BERLIM (1884/5)
A
Conferência de Berlim foi realizada na Alemanha entre Novembro de 1884 e
Fevereiro de 1885, na qual participaram 15 países, nomeadamente: Alemanha,
Bélgica, Áustria-Hungria, Dinamarca, Noruega, Holanda, Inglaterra, França,
Rússia, EUA, Turquia, Suiça, Itália, Espanha e Portugal.
Durante
as viagens de reconhecimento e exploratórias surgiram várias contradições em
África. Na região da bacia de Congo, Leopold II, Rei da Bélgica enviou Stanley
para efectuar a exploração na região, e por sua vez, a França envie Brazza para
a mesma região, e isso, criou uma disputa na bacia do Congo entre a França e
Bélgica.
A
Alemanha de Otto Von Bismark, uma vez que não tinha nenhuma colónia nessa
altura, usou com pretexto da disputa do Congo e achou oportuno convocar a
Conferência de Berlim.
A Conferência de Berlim deliberou o
seguinte:
§ A
liberdade do comércio na bacia do Congo;
§ A
liberdade do comércio e navegação entre os rios Congo e Níger;
§ Abolição
do tráfico de escravos e a definição de novas regras para uma ocupação
efectiva;
§ A
declaração de novas ocupações a serem efectuadas em África;
A formação de blocos militares
Antes
da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), na Europa surgiram dois blocos rivais
(antagónicos) e tinham-se organizados em dois (2) sistemas destinados a
preservar o equilíbrio europeu, esses blocos eram: A Tripla aliança e Tríplice
entente.
1. A Tripla aliança
foi fundada em 1882 e agrupara a Alemanha, Áustria-Hungria e Itália.
2. Tríplice entente fundada
em 1907 e agrupara a Inglaterra, França e Rússia.
A EXPANSÃO EUROPEIA NO SÉCULO XIX
Foi
realizada pelos países da Europa Ocidental e as jovens potências mundiais (EUA,
Japão e a Rússia). A expansão inglesa foi iniciada pela compra da região da
Cabo a Holanda em 1815.
A
penetração inglesa na África do Sul obrigou os boeres a migrarem para o Norte, e, essa migração ficou
conhecida por Great Treck na qual os boeres fundaram no Norte duas repúblicas
independentes:
1. Estado
Livre de Orange
2. República
Sul-Africana de Transvaal
Com
a descoberta de minas de diamante em Kimberly e de ouro em Witwatersrand na
África do Sul despertou algum interesse e febre aos ingleses em querer
controlar essas duas regiões ricas em minerais. Isso resultou num conflito
entre os ingleses e boeres – A guerra
imperialista Anglo-boer (1899 –
1902).
A
Inglaterra tomou o canal de Suez construído entre 1859 e 1869 pelos franceses e
egípcios.
O
canal de Suez facilitava o comércio com a Ásia. A partir daí, os inglese
ocuparam o Sudão, a Nigéria, a Costa de Ouro, Quénia, Tanganyica, União Sul
africana, Somália, as Rodésias (Sul e
Norte) e Niassalândia.
Portugal
e Espanha países pioneiros da expansão mercantil da Europa no século XVI, na
expansão do século XIX tiveram uma participação limitada. Portugal para além da
Guiné pretendia unir Moçambique e Angola, ocupando os territórios
intermediários, no projecto mapa cor de rosa, mas os ingleses refutaram esse
plano, e queriam construir uma linha férrea para ligar as cidades de Cabo
(África do Sul) e Cairo (Egipto). A Espanha anexou o rio de Ouro a Guiné
espanhola e o Marrocos.
A
Alemanha e a Itália não tiveram tempo suficiente de ocupar territórios em
África, mesmo assim a Alemanha ocupou Togo, Camarões, Ruanda, Burundi,
Tanganyika e Sudoeste Africano (Namíbia). A Itália anexou Eritreia a Somália
italiana e a Líbia depois de ter fracassado pela conquista da abissínia e
Tunísia.
A
expansão efectiva dos novos espaços coloniais foi graças ao auxílio das
companhias monopolistas na qual os seus capitais iniciaram o processo de
plantação e a venda de mão-de-obra, por exemplo os portugueses durante a
colonização de Moçambique só conseguiram gerir e controlar o Sul de Moçambique
e no Centro e Norte do país, arrendavam as Companhias. A zona Sul do país
estava reservada para a venda de mão-de-obra no estrangeiro, sobretudo para
África do Sul.
As guerras imperialistas
1.
A
guerra hispano-americano (1898)
Esta
guerra surge pela disputa de Cuba pelos EUA e a Espanha. Cuba colónia espanhola
desde século XV até a sua independência. Cuba teve como personagens de
resistência: José Marti, Máximo Gomes e António Macebo.
COM
DOUTRINA Monroe “América para americanos” definida por James Monroe, antigo
presidente norte americano (1817 – 1825). Com este pretexto de ajudar os
cubanos, os americanos enviaram um navio (Maine). Este explodiu e a Espanha foi
acusada do atentado. Como consequência, os EUA declararam aos espanhóis. Os
espanhóis renderam-se em 1898.
2.
A
guerra anglo-boer (1899 – 1902)
Esta
guerra deu-se pela disputa de Transvaal, uma região rica em Ouro, o que
despertou interese do imperialismo britânico.
3.
A
guerra russo – japonesa (1904 – 1905)
Foi
pela disputa da Manchúria (Província chinesa rica em carvão mineral) e da Coreia.
As forças russas, mal preparadas foram derrotadas na terra e no mar.
Os
conflitos entre as potências imperialistas ameaçavam a estabilidade mundial. Em
1900, japão e os EUA organizaram uma intervenção militar contra a china para se
apoderarem dos seus territórios na sequência da guerra de ópio.
Em
1905, o conflito franco-alemão pela posse de Marrocos, elevou a tensão entre os
dois países.
Entre
1912 e 1913 as guerras balcânicas extremeceram a Europa. A anexação da Bósnia e
Herzegovina pela Áustria – Hungria engendrou o conflito internacional.
Na
região balcânica a Rússia pretendia o estreito de Dardanelos no mar Negro,
único ponto que lhe possibilitava uma saída ao mar Mediterrâneo e o mundo, que
estava sob a administração turca. A Alemanha pretendia construir a linha férrea
ligando Berlim – Bizâncio – Bagdad (B-B-B) chocando os interesses dos britâncos
no Médio Oriente.
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